As Alegrias e Alergias da Cidade das Mangueiras

 

Na coluna de hoje optei por falar sobre o clima da nossa cidade, o qual é um fator que sempre me intrigou, porque no dia-dia da prática clínica a maioria dos pacientes com alergias respiratórias ( asma ou rinite ) relatam melhora dos sintomas quando saem da cidade, e pioram no retorno, mesmo que esta mudança seja para uma cidade mais populosa, onde teoricamente os níveis de poluentes ambientais seriam maiores.
Então, por que será que isto acontece ?
Acho que algumas explicações podem justificar essa situação: a maioria das alergias respiratórias tem como fator causal a exposição à ácaros e fungos (mofo), e estes elementos proliferam mais intensamente em ambientes de temperatura e umidade elevadas, situação típica da cidade de Belém. Os últimos trabalhos realizados aqui, mostram uma prevalência bastante elevada para uma espécie de ácaro chamada Blomia tropicalis, que tem uma característica marcante de se proliferar em ambientes quentes e úmidos. É por isso que recomendamos os cuidados de higiene ambiental dentro de casa, principalmente encapando o colchão, retirando cortinas de pano e carpetes do quarto, na tentativa de diminuir a quantidade destes ácaros.
Outro fator importante para o desenvolvimento das alergias respiratórias, aqui em Belém, é a questão da temperatura elevada com a necessidade da climatização artificial ( ar condicionados ) em casa, carros e no ambiente de trabalho. Isto sugere duas análises, primeiro é a situação do “choque térmico” constante, que num indivíduo que já tem uma sensibilidade respiratória é fator desencadeante de crises ( espirros, tosse ou irritação na garganta ). Segundo é a questão dos próprios condicionadores, que quando são velhos, sujos ou do tipo central, onde os dutos são de difícil limpeza, favorecem a proliferação de fungos, ácaros e bactérias. Muitas pessoas que trabalham neste tipo de ambiente podem manter os sintomas respiratórios alérgicos sem controle, além de adquirirem infecções com maior freqüência.
No meu ponto de vista, estes fatores citados justificam o fato de Belém não ser uma das melhores cidades para o convívio do paciente alérgico, no entanto com tratamento preventivo adequado e cuidados ambientais corretos, com certeza não fará parte das orientações do alergista a mudança de cidade.

   

Dr. Bruno Paes Barreto
E-mail: brunopb@terra.com.br