A respeito da alimentação saudável para o pré-escolar e escolar.

 

O conceito de alimentação saudável é amplo e abrange desde o aporte adequado de nutrientes para promover o crescimento e desenvolvimento ideal até os cuidados de prevenção de alguns problemas mórbidos que aparecem na idade adulta cuja etiologia e prognóstico podem estar relacionados, pelo menos em parte, à alimentação e hábitos alimentares dos primeiros anos de vida da criança. Esta alimentação adequada deve respeitar os padrões sociais, econômicos e culturais da família e mesmo da região, além da competência digestiva, absortiva e metabólica da criança, levando em consideração as necessidades nutricionais de cada idade.
Durante o período pré-escolar e escolar, as crianças passam por uma mudança importante de padrão alimentar. Nesta fase, já participam das atividades familiares como também das refeições dos adultos, recebendo o mesmo alimento que a família come. À medida que crescem, diminuem o número de refeições e o interesse pela alimentação. Com o ingresso à escola passam a conviver com horários, o conhecimento de alimentos diferentes daqueles já habitualmente conhecidos no meio familiar e as preferências por doces, guloseimas, bebidas de alto valor calórico e baixo valor nutritivo.
Não existe uma dieta padrão para todos os pré-escolares e escolares, o importante é adequar os diversos grupos de nutrientes durante o dia e observar as atividades diárias e o estilo de vida do escolar. Neste período, devem realizar 4 a 5 refeições diárias, com horários estabelecidos, evitando o uso de pães, bolachas, doces, refrigerantes, alimentos industrializados e outras guloseimas nos intervalos das refeições. O desjejum é uma das principais refeições e deve contribuir com 20 a 25% da ingestão diária total de energia do escolar.
Para uma alimentação saudável é essencial que a criança possua acesso a produtos saudáveis, os cuidados com a preparação do alimento tanto do ponto de vista nutricional como das condições higiênico-sanitárias.
A família, a escola e a sociedade têm a responsabilidade de favorecer a adoção de um comportamento por parte das crianças, capaz de encontrar um equilíbrio alimentar para alcançar uma boa qualidade de vida.
Aos profissionais de saúde cabe além do acompanhamento, orientação quanto ao preparo e higiene dos alimentos, a avaliação da alimentação sobre o crescimento e desenvolvimento do escolar e sua participação em programas educativos sobre nutrição, seja nas escolas ou na comunidade.
O grau de educação da família, sua condição social e econômica tem efeitos consideráveis sobre o modo de vida e hábitos alimentares da criança.
Programas de educação em saúde devem ser implementados nas escolas ou na comunidade, não se restringindo em fornecer apenas os conceitos sobre nutrição. É necessário ajustá-los de acordo com os recursos e a formação cultural da região e que a vivência de práticas de saúde ocorra pela valorização da qualidade dos alimentos durante as refeições, na merenda ou cantinas escolares, além da conscientização das conseqüências de uma alimentação inadequada para o indivíduo. Ou seja, para um programa de educação nutricional ser bem-sucedido é essencial que seja efetivado no dia a dia do estudante.
Assim, a adoção de um comportamento alimentar saudável do pré-escolar e escolar pode ser apontada como importante medida de promoção da saúde, com repercussões positivas na vida adulta.

Dra. Márcia Bitar Portella Neves.
Mestre em Pediatria pela UNIFESP/EPM
Professora Assistente II da Disciplina Pediatria do Curso de Medicina da Universidade do Estado do Pará.
Membro do Departamento de Saúde Escolar da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Membro do Departamento de Nutrição da Sociedade Paraense de Pediatria.