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A Organização Mundial
de Saúde classifica adolescente o indivíduo na faixa etária entre 10 e
20 anos.
As duas maiores modificações no desenvolvimento biopsicossocial do homem
são o nascimento e a puberdade, ambas decorrem em um curto período de
tempo. Hoje já estamos mais voltados para o envelhecimento fazendo parte
também desse processo de modificação, porém o envelhecimento ocorre de
uma forma mais lenta, dando maior oportunidade para o ajuste necessário
do indivíduo.
As transformações biológicas que acontecem no período da adolescência
são denominadas de Puberdade e tem como características a aceleração e
desaceleração do crescimento físico, mudanças corporais, desenvolvimento
dos caracteres sexuais secundários, masculinos e femininos graças ao
auxilio dos hormônios sexuais que eclodem nesse período.
Psiquicamente as evoluções ocorrem de maneira mais lenta e gradual,
diferenciando-se das transformações físicas que são bem definidas, a
área mental é mais elástica e, normalmente sofre influência pelas
modificações do corpo e do ambiente. As fantasias, o pensamento
abstrato, passam a ser companheiros constantes do adolescente.
Esses novos pensamentos impulsionam o adolescente a começar a questionar
o que já existe e que foi transmitido a ele e a buscar uma nova posição
no mundo, uma posição que seja escolhida por ele sem a interferência dos
pais.
As transformações caracterizadas pelo que Knobell e Aberastury
convencionaram chamar de Síndrome do Adolescente Normal e que se
manifestam através da busca da identidade, a tendência grupal, o
desenvolvimento do pensamento abstrato, a vivência temporal singular, as
variações de humor, a evolução da sexualidade, a separação progressiva
dos pais, somadas as modificações biológicas, torna o adolescente um
paciente que requer maior atenção no seu atendimento.
Os Serviços de Saúde começaram a prestar atendimento à saúde integral do
adolescente no início da década de 70 em nosso País.
Sendo o adolescente um paciente que requer um atendimento de maior
disponibilidade, faz-se necessário que o profissional de saúde (médicos,
psicólogos, enfermeiros, fonoaudiólogos, etc.), possuam uma visão de
atendimento integrado e biopsicossocial.
O primeiro atendimento ao adolescente pode ser realizado de duas
maneiras:
:: Adolescente em companhia dos familiares.
:: Adolescente sozinho
No primeiro tempo a participação dos pais ou outro responsável é
importante para esclarecimento dos antecedentes pessoais e familiares do
jovem.
No segundo o adolescente acaba criando uma situação de maior confiança
com o profissional, aqui se destaca a inviolabilidade e a privacidade
desse momento.
As atitudes dos profissionais que fazem atendimento ao adolescente devem
ser de imparcialidade, evitar criticas ou acusações, evitando atitudes
de preconceitos e julgamentos de valor moral. Não ter comportamento de
adolescente e nem tratá-lo como criança.
O sigilo do atendimento—o profissional deve esclarecer ao paciente o
aspecto confidencial das informações que serão passadas na consulta e da
necessidade de quebra de sigilo em situações de risco à própria vida
deste ou de outros. O encorajamento a discussão dos problemas com os
pais deve sempre ser realizado.
A confidenciabilidade verbal é mais fácil de ser respeitada do que a
escrita no caso dos atendimentos ao adolescente, principalmente se os
dados forem inseridos em computador, nesses casos o certo é criarmos
siglas e abreviaturas que identifiquem as questões que estão sendo
tratadas, para melhor uso de todos os membros da equipe de saúde.
O que devemos sempre questionar e nos mostrar interessados: rendimento
escolar; relacionamento familiar, sexualidade, prevenção de tabagismo e
alcoolismo, do uso de drogas ilícitas e o risco de acidentes.
No exame físico deve-se evitar a exposição do corpo do adolescente
quando não houver necessidade, respeitando as situações de inibição e
pudor. O ideal é evitarmos o exame da genitália na primeira consulta.
É importante que se passe com clareza e honestidade as informações ao
jovem. Não trair a confiança do jovem. Mostrar disponibilidade para
continuar o seu atendimento, dando-lhe responsabilidade em cumprir a
agenda marcada antecipadamente.
Uma consulta bem conduzida nos mostrará perceber com quem o adolescente
vive, como são as relações com a família, às situações de risco que
estão expostos e quais as maneiras que podemos auxiliar.
Como concluir a consulta? Quais os itens importantes, nesse momento?
:: Discutir com o adolescente planos ou estratégias para o seu
caso
:: Passar as informações com clareza e honestidade
:: Discutir com os pais e orientá-los sempre na presença do
adolescente
:: Nunca trair a confiança do jovem, respeitando o sigilo
combinado.
:: Remarcar as consultas, mostrando disponibilidade para
continuar o seu atendimento.
:: Abordar temas de maior risco.
:: Não desperdiçar as oportunidades para indagar sobre aspectos
da prevenção como: acidentes (por exemplo, uso de bicicletas, motos),
nutrição (hábitos alimentares), escola, postura, e vacinas.
Dados Bibliográficos:
1.Guia de Adolescência: Sociedade Brasileira de Pediatria
(triênio1998/2000). Orientação para profissionais da área médica
2.Saito, MI; da Silva LEV. Adolescência: Prevenção e Risco. Editora
Atheneu-2001
3.Françoso LA.; Gejer, D; Reato, LFN; Sexualidade e Saúde Reprodutiva na
Adolescência : Série Atualizações Pediátricas: Departamento de
Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo; Editora Atheneu,
2001
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