A IMPORTÂNCIA DO PEDIATRA NA PREVENÇÃO DA OBESIDADE NA INFÂNCIA E NA ADOLESCÊNCIA.
 

(Departamento de Nutrição e de Aleitamento Materno da Sociedade Paraense de Pediatria).


A obesidade é considerada um distúrbio do metabolismo energético, no qual ocorre armazenamento excessivo de energia, sob a forma de triglicérides, no tecido adiposo, ou também pode ser definida como uma doença crônica, multifatorial, em que ocorre uma sobreposição de fatores genéticos e ambientais.
É preocupante o aumento da prevalência da obesidade na população em geral, e principalmente entre as crianças brasileiras, quando aumentou de 3% (1975) para 15% a 20% aproximadamente (1997), segundo dados do IBGE e SBP. Apesar de não termos essa prevalência em nosso meio, podemos notar em nossos consultórios e até nos serviços públicos, um aumento crescente de crianças e adolescentes cada vez mais “gordinhos”.
Sabemos que apenas 2 a 5% das causas de obesidade são hormonais, os outros 95 a 98% são de origem exógena ou nutricional, decorrentes de um balanço positivo de energia entre a ingestão e o gasto calórico. Nesses casos o papel do pediatra assume grande importância devendo intervir junto à família orientando-a quanto à prevenção da obesidade.

Considerando-se os fatores de risco, as probabilidades de uma criança ser obesa aumentam em função da obesidade dos pais, sendo 80% se ambos os pais forem obesos, 50% se apenas um dos pais for obeso, porém 14% desenvolvem obesidade mesmo sem ter nenhum dos pais obeso. Alguns estudos mostram que 50% das crianças que são obesas aos 6 meses de vida e 80% daquelas que o são aos 5 anos, serão obesas sempre. No entanto, observa-se maior incidência de obesidade entre os filhos de pais idosos, os caçulas e os filhos únicos.
A influência genética independem de nossa atuação, porém podemos intervir quantos aos fatores ambientais como hábitos alimentares, estilo de vida e prática de atividade física.
O pediatra é o profissional de saúde responsável pela busca e pela manutenção de um crescimento e desenvolvimento adequados da criança desde o nascimento até o final da adolescência, e como tal, precisa estar atento aos distúrbios nutricionais possíveis de surgirem em algumas fases da vida: no primeiro ano de vida, quando se faz o desmame precoce e/ou a introdução de alimentos de forma inadequada, tanto em quantidade quanto em qualidade; e na adolescência, por falta de controle da alimentação como também por distúrbios emocionais que gerem baixa auto-estima, além do aumento fisiológico de tecido adiposo próprio dessa etapa da vida.
Como o pediatra é quem dá o primeiro atendimento à criança é sua, a função de diagnosticar, prevenir, solicitar os exames necessários, e encaminhar esses pacientes para outros profissionais nos casos da obesidade já estar instalada, devendo esse paciente deve ser atendido por uma equipe multidisciplinar.
A prevenção da obesidade assume maior importância pela grande possibilidade de se manter na vida adulta, além dos riscos para a saúde que a criança obesa fica exposta, tais como: hiperinsulinemia, alterações ortopédicas, dermatológicas, respiratórias, elevação dos níveis de triglicérides, colesterol total e LDL colesterol com maior risco para desenvolver doença aterosclerótica, diabetes mellitus tipo II, além das alterações pressóricas que poderão aparecer.

Sendo assim relacionamos algumas orientações que poderemos seguir, em nossa prática diária, para prevenir ou controlar o aumento de peso:

-Incentivar o aleitamento materno até o 6o. mês de vida
-No desmame incentivar a ingestão de frutas e legumes, evitando as massas e mingaus.
-Respeitar os horários das refeições
-Procurar realizar todas as refeições adequadamente
-Comer em lugar tranqüilo, sem muito barulho, evitando a televisão.
-Se já houver necessidade de controle do peso, diminuir gradativamente as quantidades.
-Não repetir as porções
-Mastigar devagar e adequadamente.
-Controlar os alimentos ricos em gordura e evite as frituras
-Utilizar pouco óleo e margarina
-Evitar sucos, água de côco, refrigerantes, bolachas ou biscoitos (principalmente os recheados), snacks, pizza ou qualquer petisco antes ou entre as refeições.
-Dar preferência a consumir alimentos integrais e/ou ricos em fibras.
-Para diagnosticar SOBREPESO ou OBESIDADE, calcular o Índice de Massa Corporal (IMC = peso / estatura²), o resultado encontrado deve ser comparado com as tabelas de percentis segundo sexo e idade e considerar Sobrepeso quando o IMC acima do P85 e abaixo do P95 e Obesidade quando IMC ³ P95. Em crianças maiores de 10 anos, aplicar o IMC na tabela abaixo:
-Além da orientação nutricional, estimular a atividade física, respeitando as limitações de cada um e contra-indicar terapia medicamentosa.

Tabela 1 - Diagnóstico da obesidade em crianças acima de

                 10 anos pelo Índice de massa corporal (IMC)

Idade/Anos

SOBREPESO

OBESO

masculino

feminino

masculino

Feminino

10

11

12

13

14

15

16

17

18

19

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* Documento Científico Departamento de Endocrinologia da Sociedade  Brasileira de Pediatria.

EXAMES COMPLEMENTARES A SEREM SOLICITADOS 2,9,11:

- Dosagem de colesterol total e frações
- Dosagem de triglicerídeos
- Glicemia de jejum
- RX mãos e punhos (Idade Óssea)

Avaliação da composição corporal: Impedância bioelétrica, Infravermelho e DEXA (Dual Energy X-Ray Absorptiometry) - dá o percentual de massa gorda, percentual de massa magra e sua distribuição corporal.
 


Referência bibliográficas:

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Escrivão MAMS, Oliveira FLC, Taddei JAAC, Lopez FA. Obesidade exógena na infância e na adolescencia. J Pediatr 2000; 76 Supl 3:305-10.
Revista VEJA, 12 de janeiro, 2000
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Escrivão MAMS, Lopez FA. Repercussões. In: Nóbrega FJ. Distúrbios da Nutrição. Rio de Janeiro: Revinter; 1998, p.392-3.
Sarni RS. Avaliação da Condição Nutricional. In: Temas de Nutrição em Pediatria. Nestlé, Ed. Especial. Sociedade Brasileira de Pediatria; 2001, p.28-38.
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Eisenstein E, Coelho KSC, Coelho SC, Coelho MASC. Nutrição na adolescência. J Pediatr 2000; 76 Supl 3:263-84.
Nolasco MP. Diagnóstico Clínico e Laboratorial - Composição corporal. In: Fisberg M. Obesidade na infância e adolescência. São Paulo: Fundo Editorial BYK; 1997, p.28-35.

COLEGA PEDIATRA, SE VOCÊ ESTIVER INTERESSADO EM PARTICIPAR DE UM ESTUDO COLABORATIVO SOBRE O PERFIL DO ESTADO NUTRICIONAL DAS CRIANÇAS QUE FREQÜENTAM CONSULTÓRIOS PARTICULARES EM BELÉM, ENTRE EM CONTATO COM A SOCIEDADE PARAENSE DE PEDIATRIA. VAMOS CONHECER NOSSA REALIDADE!