COMO ANDA A SAÚDE AUDITIVA DO SEU FILHO?


Sempre que falamos em SAÚDE, pensamos logo em nossos filhos livres de febre, tosse, gripe ou uma dessas viroses sazonais que surgem a todo instante. Isso sem falar nos problemas mais sérios, como traumas por acidentes (caseiros ou não), rubéola, meningite e até um câncer de repente. Entretanto, existe uma condição que também é importante e essencial de ser lembrada, e que, na maioria das vezes, passa desapercebida pelos pais.
Trata-se da Saúde Auditiva, que é um dos fatores mais importantes para que a performance geral de seu filho seja a melhor possível. Ao contrário do que muitos pensam, uma perda auditiva não se adquire somente através de doenças congênitas graves ou depois de uma certa idade Um dos fatores mais prejudiciais para a audição, que infelizmente se faz presente em quase todos os lugares, é o ruído, condição em que o som (indesejável), contínuo ou de impacto, é imposto em uma potência e uma intensidade muito acima do permitido para a manutenção da integridade auditiva.
Atualmente, o ruído é um dos principais agentes de poluição, perdendo apenas para a poluição do ar e da água. Suas conseqüências envolvem desde dores de cabeça, estresse, distúrbios do sono, até aumento dos batimentos cardíacos, tensão muscular, incapacidade de concentração e atenção e principalmente perda auditiva lenta, progressiva e irreversível. São características que, se observadas em combinação, merecem encaminhamento a um especialista imediatamente.
A Organização Mundial da Saúde alerta quanto ao perigo que a poluição sonora representa ao ouvido, e automaticamente à saúde. Estudos e pesquisas realizados no Mundo inteiro, apontam que as crianças fazem parte de um grupo de risco em potencial, para adquirirem problemas oriundos da excessiva exposição ao ruído. Isso se justifica pelo alto grau de “contaminação” que as escolas apresentam. São ruídos da fala (no geral, em volume elevado), associados à ruídos do trânsito da redondeza, músicas no intervalo, sons das máquinas da lanchonete, carteiras se arrastando, enfim, diversos sons expostos simultaneamente às estruturas finas e delicadas do ouvido.
O fato é que se a exposição se desse somente na escola, a situação seria mais facilmente controlada. No entanto, ao chegar em casa seu filho sofre as mesmas pressões auditivas, ou até mais ainda, e muitas vezes, por livre e espontânea vontade. É o vídeo-game, a TV, o vídeo–cassete, o micro–system, o disc–man, tudo isso curtido num volume altíssimo, que alcance a sua empolgação e justifique sua preferência. Isso sem falar nas festas e boates lotadíssimas, com centenas de pessoas falando, gritando, cantando alto, sob o embalo de uma performance “maravilhosa” do DJ (mixador de músicas eletrônicas), que consegue “enlouquecer a galera” com suas músicas “poderosas”.
E muito além destas situações, ainda existem aquelas que nunca podemos desconfiar que nos fazem algum tipo de mal. São os cultos religiosos, por exemplo, onde os fiéis pregadores oram, cantam e clamam aos gritos, acompanhando o som do órgão agudo e potente. São tantas as situações que diariamente nos expomos, que são repletas de poluição sonora, que ao citar apenas algumas já percebe-se a gravidade, imagina citando todas...
O importante é que se tenha a consciência que eliminar o ruído da vida de seu filho é tarefa impossível. O que tem que ser feito, e vale a pena, é tentar diminuir ao máximo o tempo de exposição à esses ruídos. Como? Conversando, orientando seu filho sobre os males que tal exposição pode trazer, e convencendo-o, gradativamente, a ir diminuindo o volume de seus aparelhos eletrônicos, a procurar freqüentar ambientes de festas que sejam amplos e abertos, a evitar brinquedos barulhentos, enfim, a tentar diminuir a exposição ao ruído onde ele mesmo tem condições de controlar, porque as outras situações, como construções de prédios, auto – falantes de propagandas, trânsito intenso com buzinas e apitos de guardas, por exemplo, são praticamente impossíveis de se evitar.
É essencial que você e toda a sua família tenha conhecimento desse fato desagradável e persistente, que é a poluição sonora, e principalmente dos efeitos danosos à saúde que ela pode causar, levando a um desempenho cotidiano insuficiente e a um processo de aprendizado prejudicado. O ser humano só vive bem e se socializa bem quando é saudável. E por mais que não pareça, o ouvido íntegro é condição essencial para a tão almejada saúde. Portanto, respeite o seu ouvido e ajude a respeitar o do seu filho também. Levante conosco a bandeira do silêncio e deixe o ouvido respirar! Você vai ver como sua vida, e a de toda a sua família, vai melhorar 100%.

 

  Érika Keuffer Macedo - Acadêmica do 4o. Ano de Fonoaudiologia da UNAMA – PA.
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