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Nesta semana comentarei sobre uma situação que aflige várias mães, trazendo
bastante ansiedade e gerando um sentimento de culpa sobre os problemas do
seu filho, as infecções de repetição.
Talvez uma das principais queixas maternas nos consultórios pediátricos seja
a quantidade de infecções que as crianças, principalmente as pequenas,
apresentam durante a sua primeira infância. Porquê será que isto acontece ?
Será que é uma condição da sociedade moderna ? Será que realmente são
infecções, ou pode ser alergia ?
Acho que a resposta envolve um pouco de cada coisa, pois inicialmente é bom
esclarecer que as crianças pequenas (até por volta dos 4 anos) apresentam um
estado de imunodeficiência fisiológica, ou seja, normalmente tem dificuldade
de combater vírus e bactérias, pois ainda não apresentam anticorpos
devidamente formados, já que isto vai acontecendo gradualmente até um estado
de maturação imunológica.
Agora se nós somarmos a isto, o fato de que a sociedade moderna impõe para
as mães trabalhadoras a necessidade de deixar seu filho sob os cuidados de
alguma instituição, onde existem várias outras crianças no mesmo estado de
imaturidade imunológica, vivendo em ambientes fechados e por vezes
climatizados. Isto tudo facilita o contágio constante entre as crianças,
determinando um novo ciclo de infecção a cada 20 ou 30 dias, gerando um
estado de ansiedade materna, justificada, com relação à saúde do seu filho.
Se voltarmos no tempo, duas ou três décadas, a maioria das crianças iniciava
seu ciclo escolar com cinco ou seis anos, quando a maturidade imunológica
estava mais completa e o risco de infecção era menor. Estudos científicos
mostram que as crianças (até 4 anos) que não estão escolarizadas, também
adoecem, porém os ciclos infecciosos acontecem com intervalo de 2 a 3 meses,
gerando muito menos ansiedade familiar.
Para complicar um pouco mais esta situação delicada, se estas mesmas
crianças que normalmente adoeceriam pelos motivos já citados, apresentarem
uma condição alérgica determinada geneticamente, o quadro será mais confuso,
pois a alergia respiratória (rinite e/ou asma) isoladamente pode se
apresentar semelhante a um quadro infeccioso ou pode ser agravada pela
infecção. Geralmente estas crianças (alérgicas) são aquelas que mesmo fora
do processo infeccioso continuam manifestando sintomas, como: tosse, coriza
e peito “cheio”.
Então, resumidamente podemos responder este questionamento: Meu filho vive
doente ! Isto é normal ? Sim, se o seu filho estiver enquadrado em dois ou
três destes elementos básicos: ter menos de 4 anos, estar escolarizado e ser
alérgico. Se fizermos um tratamento preventivo para alergia poderemos
melhorar os sintomas entre os episódios de infecção, mas não poderemos
evitá-los, já que isto depende da idade, ou seja do amadurecimento das
defesas da criança.
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