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É cada vez mais
importante, o estudo da ação das bactérias não-patogênicas, da nossa
“microbiota” intestinal, na regulação da nossa imunidade desde o
nascimento até a nossa morte.
Não é de hoje, que as prateleiras de supermercados mostram leites
fermentados enriquecidos com lactobacilos, os quais quando ingeridos
diariamente poderiam regular a função intestinal, além de prevenir
infecções. Mais recentemente as grandes indústrias, líderes na
comercialização de fórmulas lácteas infantis, também passaram a
comercializar fórmulas enriquecidas com outras variantes de tais
lactobacilos, sugerindo melhor digestibilidade e alguma imunomodulaçao.
Não sou contra tal situação, muito pelo contrário, como imunologista
clínico acho que este é um caminho sem volta, pois a função da nossa
“microbiota” intestinal e sua correlação com o sistema imunológico local
é um dos campos de estudo mais promissores da imunologia atual, e que em
curto prazo serão responsáveis pela formulação de elementos bioativos e
imunomoduladores, comercializados na dose correta para um efeito
adequado. Pois esta questão da quantidade de lactobacilos necessária
para a estimulação imunológica, é o ponto que ainda torna questionável a
ação das formulações até hoje disponíveis.
Então, viva a nossa flora intestinal! Ou melhor, nossa microbiota
intestinal, como querem os estudiosos eruditos no assunto. Recentemente
fui corrigido fervorosamente durante uma palestra, por ter me referido a
“nossa flora intestinal”. Naquele exato momento, pensei comigo mesmo:
- Como eu, tão inteligente, poderia ter cometido esta falha filogenética
monstruosa. Como eu poderia ter esquecido que as bactérias não são
plantas! Em questão de segundos comecei a pensar, se não são plantas...
serão animais?! Logo me veio à imagem de algumas E. coli de mãos dadas
com minúsculos artrópodes, formando um verdadeiro zoológico intestinal,
a “nossa fauna intestinal”. Não, não pode ser, não soa bem! Engoli a
seco, e fui dormi pensando no erro que cometi.
Após conversar com alguns especialistas e pesquisar, percebi que meu
erro não foi tão grande assim. Realmente, por muito tempo as bactérias
fizeram parte do reino vegetal, onde filogeneticamente tem maiores
afinidades. No entanto, em recente classificação são agora agrupadas no
Reino Monera (do grego Moneres = único) e, portanto, nem “bicho” e nem
“planta”, e também por isso, o novo conceito de “microbiota” intestinal,
que sinceramente ainda não me convenceu!
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