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Ignácio Sapolino, o sapo que virou
príncipe, que virou sapo, que virou príncipe, de novo, e que talvez,
acabe como começou!
Era uma vez um sapo barbudo, de meia idade e desprovido de atributos
estéticos de beleza, que morava num brejo atrás de uma fábrica de
caminhões, pra lá de São Bernardo do Campo. Ignácio tinha uma vida
simples e em seu cotidiano como estoquista de mosca da comunidade, era
querido pelos “companheiros” e tinha bom diálogo com seus superiores. No
entanto, Ignácio estava descontente com sua vida, seu casamento estava
“indo para o brejo” literalmente e seu trabalho era monótono, além do
que, já havia perdido uma parte de sua língua num arame-farpado. Fato
este, que lhe rendeu um adicional insalubridade e uma certa dificuldade
em coachar as consoantes, como por exemplo o “s” de “sapo” no final de
algumas (quase todas) as palavra(s).
Foi aí, que Ignácio, então conheceu em um brejo vizinho, Brasiliana da
Silva, uma senhora sapa, filha do dono das terras, um pouco mais jovem
do que ele, nascida nos idos de 1960 pros lados do Planalto Central.
Brasiliana era poderosa e influente, tinha sido casada várias vezes, no
entanto agora estava livre, buscando alguém que a colocasse no rumo
certo.
Ignácio começou a fazer de tudo para chamar sua atenção, discursava para
os companheiros, brigava por melhores condições de trabalho, mas todo
seu esforço era em vão, pois quando estava muito perto de Brasiliana os
Deuses conspiravam contra Ignácio. Foram anos de amor “platônico”, até
que um dia um companheiro seu, José Saporceu, campeão de estocagem de
mosca no exterior, lhe indicou um “pai-de-santo” que resolvia qualquer
pendenga amorosa. “Pai Dudalino” confiou neste pobre sapo e resolveu
bancar seu sonho!
Surgiu, então, Sapolino da Silva, pois Ignácio não era um nome harmônico
e não tinha uma numerologia favorável, um verdadeiro príncipe, não na
aparência, pois “Pai-Dudalino” era muito bom, mas realmente não fazia
milagres. No entanto a transformação era um fato, aquele Ignácio estilo
“cururu”, pesadão e meio seboso, passou a um estilo “perereca-fashion”,
mas jovial, cheiroso e com um “sex-appeal” capaz de conquistar qualquer
sapinha.
Dito e feito, no primeiro encontro com Brasiliana, Sapolino da Silva
acompanhado dos companheiros José Saporceu e Pai-Dudalino jogou todo o
seu charme e a conquistou. Uma conquista memorável e histórica!
Os três companheiros “moscateiros” passaram a ser o centro da
comunidade. Sapolino com seu carisma e com as portas abertas por
Brasiliana era só sorrisos e amabilidades. Saporceu com sua vivacidade
controlava todos os catadores de moscas, assim como o estoque da
comunidade. Pai-Dudalino preferiu sair da mídia e ir descansar nos
brejos do nordeste, aproveitando seu estoque de moscas, prêmio por seu
trabalho com o príncipe Sapolino.
O tempo passava, Sapolino sorria e contava piadas, enquanto Saporceu
comandava o submundo das terras de dona Brasiliana. Companheiros
antigos, mas não tão amigos começaram a freqüentar os salões de dona
Brasiliana e se empanturravam de moscas, afinal eram tantas que uma
língua a mais ou a menos não faria diferença. Companheiros antigos e
realmente amigos, assim como sapos de outros brejos começavam a ser
desprezados pela cúpula que comandava as terras de dona Brasiliana.
Vários companheiros começaram a ser envolvidos em escândalos de desvios
e de superfaturamento de moscas e, até mesmo Sapolino da Silva Jr. foi
citado por suposta negociação paralela de moscas para um brejo “hi-tech”
do estrangeiro.
O brejo de dona Brasiliana começou a fazer lama para todos os lados não
sobrou um companheiro limpo, exceto Sapolino da Silva que conseguiu
escapara sem uma gotícula de lama sequer. O príncipe parecia que ia
virar sapo de novo, mas não Ignácio, pois como nos velhos tempos, suado,
barbudo e seboso voltou a circular pela sua gente, beijando sapinhos e
saponas, fazendo ressurgir o velho carisma de sempre e sobretudo
mantendo a chama do amor com Brasiliana acesa.
Até quando irá está história de amor? Ninguém sabe, mas Ignácio não quer
voltar a ser Sapolino!
Tomara que assim realmente seja, para a felicidade de um brejo chamado
Brasil! |