MORTALIDADE NEONATAL NO ESTADO PARÁ

A diminuição da mortalidade infantil é meta a ser perseguida. Esse indicador reflete a qualidade de vida de uma população. Compromisso internacional e nacional para diminuição desse indicador foi firmado e no Pará é um dos campeões nacionais em mortalidade infantil.

Os dados nos alarmam e nos inquietam:

  1. Segundo IBGE, a região Norte foi a única região no Brasil em que houve aumento do número de nascimentos do ano de 2005 para 2006. No Pará, em 2006, nasceram 1.322 crianças em adolescentes menores de 15 anos e 30.088 crianças de mães entre 15 e 19 anos, somos o segundo estado Brasileiro em gravidez em menores de 20 anos, só perdemos para o estado do Maranhão. Na região Norte, dos óbitos infantis, 50,8% ocorreram em crianças menores de 7 dias de vida e 15,9% entre 7 e 27 dias de vida, ou seja, 66,7% das mortes em crianças menores de 1 ano ocorreram antes de 28 dias de vida. A região Norte foi campeã nacional de mortes em menores de 7 dias de vida e vice campeã nacional em mortalidade infantil (21,6 por mil nascidos vivos), só perdeu para a região Nordeste. Essa taxa é mais de 40% superior às taxas de mortalidade infantil das regiões Sul e Sudeste. Podemos dizer que o simples fato de uma criança nascer na região Norte ela já tem 40% mais chance de morrer antes de completar 1 ano de vida do que se tivesse nascido nas regiões mais desenvolvidas do país. No Pará, em 2006, morreram 1504 crianças antes de completarem 1 ano de vida.

  1. Outra fonte oficial de dados, datasus, os últimos dados liberados ano de 2004, a taxa de mortalidade infantil (número de mortes abaixo de 1 ano por mil nascidos vivos) no Brasil era de 22,58 , no Pará era de 25,55, superior a média nacional, enquanto na região Sudeste essa taxa foi de 14,92, ou seja o Pará com taxa 50% superior às regiões mais desenvolvidas do país.

  1. Dados levantados em pesquisa realizada pelo grupo do curso de especialização em Perinatologia pela UEPA apontam elevadíssimos índices de mortalidade neonatal evitável, precária assistência neonatal no momento de nascimento no interior do Pará, péssimas condições de transporte para o hospital de referência, acesso a atendimento especializado neonatal muito aquém do necessário e elevada mortalidade neonatal no serviço de referência.

Considerando os dados acima mencionados, justificam-se as elevadas taxas de mortalidade neonatal encontradas no estado do Pará. Medidas emergências são necessárias para melhoria da no mínimo incômoda situação em que se encontra esse Estado.

A Sociedade Paraense de Pediatria vem atuando para mudar esse perfil de mortalidade neonatal no Pará!

Ações como AIDPI Neonatal e Curso de Especialização em Perinatologia são estratégias fundamentais que contribuirão com as mudanças desejadas. Assim,  a SPP persistirá com seu objetivo em prol da diminuição da mortalidade neonatal com os treinamentos em AIDPI Neonatal no Estado do Pará.

Rejane Silva Cavalcante
Presidente do Departamento
de Neonatologia da
Sociedade Paraense de Pediatria