Assim como na política !!

 

Nestas últimas semanas vivemos o clima de eleição, sedimentando de maneira grandiosa a democracia neste país. Embora não tenha ideologia partidária, tenho pensado muito na atual situação política do país e por isso, acabo percebendo analogias entre pediatras, pacientes, eleitores e candidatos.
Como disse anteriormente, acredito muito mais nas pessoas do que em partidos, pois acho que realmente se houvesse uma ideologia ou uma diretriz filosófica, não se mudaria de partido ao primeiro aceno, como se estivessem mudando de roupa. Mas, também, nós eleitores temos culpa, pois mudamos de voto com uma naturalidade espantosa, abandonando aquele candidato de conduta impecável, o qual já defende os interesses da nossa região há anos, para seguir modismos perigosos que colocarão em risco o crescimento e desenvolvimento de nossa região.
Concordo que para um político chegar neste nível de idoneidade, um dia ele foi novo, e também pode ter sido um modismo na sua época, no entanto, com certeza, não se elegeu por ser bonitinho, cantar numa banda de rock ou ter receitado meia dúzia de óculos.
Será que nossos pacientes não estão se comportando como nossos eleitores, trocando seu médico de confiança ao menor contratempo ou ao primeiro modismo? Será que nós pediatras não estamos nos comportando como nossos candidatos, deixando de dar aquela antiga atenção ao pequeno paciente? Ou também, nos desviando de nossos verdadeiros objetivos, buscando sobrevivência por outros caminhos e com isso, realizando uma medicina medíocre e mercantilista.
Pode ser que atual conjuntura político-econômica tenha favorecido este ciclo vicioso, mas esta situação não justifica a pior das crises, que é a “crise de caráter”. Saber que está fazendo algo errado e mesmo assim, continuar fazendo e ainda por cima, tentar convencer os outros de que não está legislando em causa própria e que dorme tranqüilo, sem nenhum sentimento de culpa!
Realmente estamos diante do homem jogado ao limbo da sua condição de “ser humano”. Por isso, devemos repensar nossas atitudes como pacientes eleitores e como pediatras candidatos, para que tenhamos a possibilidade de proporcionar, ‘a nossas crianças, um futuro digno e transparente.

   

Dr. Bruno Paes Barreto
E-mail: brunopb@terra.com.br