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Nestas últimas semanas
vivemos o clima de eleição, sedimentando de maneira grandiosa a
democracia neste país. Embora não tenha ideologia partidária, tenho
pensado muito na atual situação política do país e por isso, acabo
percebendo analogias entre pediatras, pacientes, eleitores e candidatos.
Como disse anteriormente, acredito muito mais nas pessoas do que em
partidos, pois acho que realmente se houvesse uma ideologia ou uma
diretriz filosófica, não se mudaria de partido ao primeiro aceno, como
se estivessem mudando de roupa. Mas, também, nós eleitores temos culpa,
pois mudamos de voto com uma naturalidade espantosa, abandonando aquele
candidato de conduta impecável, o qual já defende os interesses da nossa
região há anos, para seguir modismos perigosos que colocarão em risco o
crescimento e desenvolvimento de nossa região.
Concordo que para um político chegar neste nível de idoneidade, um dia
ele foi novo, e também pode ter sido um modismo na sua época, no
entanto, com certeza, não se elegeu por ser bonitinho, cantar numa banda
de rock ou ter receitado meia dúzia de óculos.
Será que nossos pacientes não estão se comportando como nossos
eleitores, trocando seu médico de confiança ao menor contratempo ou ao
primeiro modismo? Será que nós pediatras não estamos nos comportando
como nossos candidatos, deixando de dar aquela antiga atenção ao pequeno
paciente? Ou também, nos desviando de nossos verdadeiros objetivos,
buscando sobrevivência por outros caminhos e com isso, realizando uma
medicina medíocre e mercantilista.
Pode ser que atual conjuntura político-econômica tenha favorecido este
ciclo vicioso, mas esta situação não justifica a pior das crises, que é
a “crise de caráter”. Saber que está fazendo algo errado e mesmo assim,
continuar fazendo e ainda por cima, tentar convencer os outros de que
não está legislando em causa própria e que dorme tranqüilo, sem nenhum
sentimento de culpa!
Realmente estamos diante do homem jogado ao limbo da sua condição de
“ser humano”. Por isso, devemos repensar nossas atitudes como pacientes
eleitores e como pediatras candidatos, para que tenhamos a possibilidade
de proporcionar, ‘a nossas crianças, um futuro digno e transparente.
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