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“SER PEDIATRA: DO
TOPO AO POÇO”
Hoje resolvi falar sobre a tênue linha por
onde caminha o pediatra, especialista que consegue experimentar situações
totalmente opostas no decorrer de sua carreira. Vai do “glamour” de ser o
pediatra de pequenas estrelas, cobiçado, indicado pelo boca-a-boca das rodas
sociais, e muitas vezes disputado no grito desesperador das mães, que o
utilizam o fator doença para derreter o coração de secretárias e atendentes,
ao limbo da profissão, sendo deixado ‘a margem da clientela, na maioria das
vezes por injustiça ou ingratidão dos próprios pacientes (pais), os quais
bradam aos quatro cantos que “aquele médico não quis atender o meu filho!”
ou “imagina que aquele médico só tinha consulta daqui a 15 dias, até lá meu
filho morreu!”. ‘A partir daí “aquele médico” já não presta mais e será
execrado para sempre.
Pode parecer que eu esteja sendo insensível ou sem coração, ou que esteja
esquecendo do sofrimento das crianças, mas é que na verdade a minoria
precisaria de um atendimento emergencial e que realmente por um motivo
pessoal ou de horário deixou de ser realizado. O que me pergunto é: Será que
os pais estariam interessados em saber porque não o atendemos? Será que lhes
interessa saber que temos vida própria, problemas pessoais, tristezas e
desilusões? Será que adiantaria saber que recebemos (quando acontece) em
média R$ 20,00 por consulta, a qual se transforma em vários retornos e
vários telefonemas não remunerados?.
Percebo dois grandes fatores influenciadores para a situação atual da
categoria. Primeiro, a falta de sintonia e confiança dos pais para com os
pediatras, onde aquele PEDIATRA da família já não existe mais. Segundo,
porém não menos importante, o imediatismo da sociedade moderna, que faz com
que a mãe que passa o dia trabalhando, exija um milagre da medicina para
curar a infecção do seu filho em 12 horas, pois amanhã terá de trabalhar
novamente e não quer se sentir ausente e culpada.
Será que antigamente tínhamos menos infecções? Será que tínhamos melhores
pediatras? Com certeza não, prezados leitores, no entanto tínhamos uma
medicina menos prostituída, que dava condições e, sobretudo, tempo ao
pediatra para conhecer o seu pequeno paciente. Mas também, tínhamos mães que
conheciam mais seus filhos e que sabiam que uma gripe poderia ser curada com
vitamina C, cama, amor e ..... tempo!
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