A Teoria do Sujinho

 


Embora os quadros alérgicos sejam freqüentemente leves e com baixa taxa de mortalidade, vem chamando à atenção dos especialistas e cientistas, no decorrer deste século, o rápido incremento da incidência destes fenômenos na população mundial, já que no início do século XIX as alergias estavam limitadas as pessoas com hábito do etilismo, enquanto que hoje em dia atinge indiscriminadamente adultos e crianças, com alto impacto na qualidade de vida de milhões de pessoas.
Mas afinal, o quê a sujeira tem com isso ? Na verdade a “teoria do sujinho” seria apenas uma hipótese que tenta correlacionar fatores ambientais e sócio-econômicos que estariam influenciando no incremento dos processos alérgicos atuais, já que o fator genético é constante e não poderia ser responsabilizado por esta situação.
E quais seriam estes fatores ambientais ou sócio-econômicos ? Vários pesquisadores começaram a investigar o porquê deste aumento na prevalência ter atingido principalmente a faixa etária pediátrica, e descobriram que em países desenvolvidos, principalmente na Europa setentrional, esta relação era mais evidente. Nestes países foram observadas algumas características importantes, como por exemplo: diminuição no número de infecções bacterianas e parasitárias pelas campanhas vacinais abrangentes e condições sanitárias ideais; diminuição no números de filhos ( controle e planejamento da natalidade ) e elevado nível sócio-econômico da população em geral.
Como estes fatores estariam agindo ? Explicando de uma maneira simplista, o contato das crianças com bactérias, vírus e parasitas “normais” da infância seriam importantes para modular o sistema imunológico e com isso prevenir o surgimento dos processos alérgicos. Sem trabalho para fazer, o sistema imunológico passaria a se “preocupar” e por conseguinte reagir contra elementos inofensivos da natureza, como ácaros, fungos e proteínas alimentares, provocando o surgimento de alergias.
Com certeza os cientistas e especialistas não estão querendo fazer uma apologia à sujeira, muito menos deixar de considerar os grandes avanços no campo das imunizações e da medicina preventiva que tem salvo milhões de vidas, mas sem dúvida estes fatores pesquisados não devem ser desprezados. O ideal seria chegarmos num ponto de equilíbrio onde houvessem ótimas condições de higiene sanitária, prevenção adequada (imunização) das doenças infecto-contagiosas, porém sem esquecermos que a estimulação do sistema imunológico por meio das doenças comuns da infância pode ser fundamental para o desvio deste sistema contra as alergias.
Talvez a palavra-chave para esta situação seja o bom senso, onde a criança deve viver a infância na sua plenitude, tendo o direito de ser uma criança normal. Cuidado sim, superproteção exagerada não !!
Em caso de dúvida, procure um especialista e lembre que as alergias são plenamente controláveis !!

   

Dr. Bruno Paes Barreto
E-mail: brunopb@terra.com.br