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Hoje resolvi mexer em casa de caba e vou explicar o porque desta afirmativa.
Com certeza a maioria de vocês, prezados leitores, conhecem ou já ouviram
falar de alguém que fez uso de vacinas para tratamento de alergia. Mas será
que são confiáveis? Será que existem vacinas para qualquer tipo de alergia?
Será que qualquer pessoa pode receber este tipo de tratamento?
O mais importante que deve ser esclarecido desde o início é que não existe
uma vacina para alergia de uma maneira geral, ou seja, uma pessoa que tem
asma e uma outra que tem alergia alimentar ou medicamentosa não poderiam
utilizar a mesma vacina, pois estas teriam que ser específicas à causa da
alergia. Explicando melhor, se você tem asma provavelmente terá alguma
alergia a inalantes ambientais, como ácaros ou fungos e neste caso poderia
fazer as vacinas, que são mais apropriadamente chamadas de imunoterapia. Já
se você apresentar alergias alimentares ou medicamentosas, mesmo sabendo
qual alimento ou medicação responsável pelo processo, não existiria
possibilidade de vacinas para esta situação.
Mas, além disso, mesmo sabendo da causa e sendo possível a realização da
vacina, temos de analisar se o paciente pode recebê-la, pois se for criança
pequena (abaixo de cinco anos) ou se estiver mal controlado, apresentando
sintomas constantes da doença, a vacina estaria contra-indicada. Na criança
devemos analisar o fato de que as vacinas são sub-cutâneas (injetáveis), de
aplicação semanal, o que torna difícil à aceitação por parte do paciente e
dos familiares, além do que as medicações orais e inalatórias atuais podem
ser mais práticas e mais eficazes do que a imunoterapia. No paciente mal
controlado, a imunoterapia pode agravar o quadro, já que estaríamos
aplicando o próprio agente causador, mesmo que em dose bastante reduzida.
Um outro grande problema que limita a eficácia da imunoterapia para alergia,
é que ainda não existe um consenso na padronização de extratos alergênicos
para a produção das vacinas, pois os laboratórios de manipulação trabalham
com técnicas diferentes e, além disso, a identificação do componente
causador da alergia é muito laboriosa. Então, se mesmo os grandes
laboratórios ainda apresentam dificuldades, imaginem o que se pode esperar
de alguns fabricantes de “fundo de quintal”.
Não estou fazendo uma apologia contra as vacinas para alergia, gostaria
apenas de esclarecer que a imunoterapia é um procedimento médico que deve
ser realizado por especialista, com indicação precisa (causa da alergia
conhecida) e de procedência confiável, onde o paciente saiba exatamente o
que está sendo aplicado. Mesmo quando estes requisitos todos são
preenchidos, a imunoterapia pode não ter o sucesso desejado, pois ela não é
tratamento isolado e deve estar sempre associada à prevenção, a higiene
ambiental e a utilização de medicações antialérgicas.
Não se esqueçam, em caso de dúvida procurem um especialista.
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