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O surgimento de
especialidades e sub-especialidades faz parte do desenvolvimento científico
de uma categoria. Na medicina não poderia ser diferente e por isso, já faz
tempo que Pediatria, Ginecologia e Obstetrícia, Cirurgia Geral e Clínica
Médica deixaram de ser o foco principal ou objetivo de médicos
recém-graduados. Não sou contra esse novo rumo profissional, mesmo porque
também sou especialista, mas o que me preocupa é o pouco valor que se tem
dado aos médicos generalistas, os quais podem não ter tido oportunidade ou
assim fizeram por vocação, por paixão, e ninguém pode tirar a grandeza de
sua escolha.
Na verdade, está acontecendo uma inversão de valores, pois um bom médico
generalista tem muito mais mérito, exatamente por necessitar de muito mais
conhecimento prático-teórico do que vários especialistas, os quais se não
tiverem uma base generalista sólida em sua formação, serão sempre limitados
e sem visão.
E esta inversão de valores inicia um ciclo vicioso que parte do status do
especialista, passa pelo desprezo dos convênios médicos que remuneram
proporcionalmente menos os generalistas, atinge a industria farmacêutica que
destina menos verba aos eventos científicos que não falem de temas
específicos, afinal quem vai querer patrocinar um simpósio sobre Violência
na Infância, sobre Gravidez e Depressão na Adolescência ou quem sabe a
Criança no Contexto da Sociedade Moderna.
Por fim, este ciclo culmina com a evasão cada vez maior das chamadas
cadeiras básicas do curso médico, e com as afirmações cada vez mais
freqüentes dos recém-formados:
- Eu vou fazer cosmiatria!
- Eu vou me especializar em quadril!
- Eu não, quero fazer só medicina nuclear!
Será que algum dia, prezados leitores, vamos voltar a atender o paciente
inteiro, como gente, como realmente ele merece !!
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